O deputado estadual Gilberto Diniz (PT do B) é professor há 15 anos. Vem de uma família formada em sua maioria por professores. São 40 membros formados em cursos como Pedagogia, História, Letras e Matemática, todos exercendo a função na Capital, interior do Estado e em seringais dos rios Yaco e Macauã.
Esta semana, ao subir na tribuna da Assembléia Legislativa (Aleac), fez uma menção ao fato do Acre surgir como manchete do maior jornal impresso do país – a Folha de São Paulo – como a maior referência em salários e investimentos na Educação.
“Ficamos felizes em ver o nosso Estado servindo de exemplo para a nação brasileira. E temos consciência de que esse é o fruto de um trabalho longo iniciado pela Frente Popular do estado”, afirmou.
Eleito com 2.405 votos, Diniz, que é professor formado em Pedagogia e Matemática, chegou à Aleac aos 33 anos, engrossando a lista de profissionais na área como Moisés Diniz, Idalina Onofre, Naluh Gouveia e Edvaldo Magalhães.
Em seus propósitos entram muitos projetos em diversas áreas, e entre elas o ideal de cumprir seu papel junto à população acreana, especialmente entre a sociedade de Sena Madureira. Leia a seguir:
A GAZETA - Como professor, o senhor foi um dos deputados estaduais que elogiou esta semana a forma como a área vem recebendo investimentos no atual Governo. Na sua opinião, os avanços são reais e consolidados?
Gilberto Diniz - A educação melhorou de forma substancial, hoje nós temos cursos superior acontecendo em todos os municípios acreanos e isso não ocorre só com os educadores da zona urbana principalmente os da zona rural, os cursos de capacitação de professores também tem fortalecido o aprendizado no Acre, trabalho esse, feito com muita pesquisa e empenho do então secretário Binho Marques e da professora Maria Correa no governo de Jorge Viana. Eu mesmo, que tive o privilégio de participar de vários cursos com profissionais de educação das universidades de São Paulo, vi que o Acre naquele momento estava dando um grande passo na educação do povo acreano.
O reconhecimento do governo que a educação é o espelho de um Estado melhor, foi dado na valorização dos salá-rios dos servidores e no compromisso celebrado no início do mês, entre o Ministro da Educação e o Governador Binho Marques com o PDE.
A GAZETA - Sua eleição foi considerada uma grande surpresa para os veteranos da política acreana. Como foi chegar na Aleac?
Gilberto Diniz - Bem para chegar onde cheguei, abri mão da vaidade e coloquei o pé no chão e a esperança no coração … eu vinha de uma eleição para vereador em 2004 completamente fragilizado, derrotado pela a legenda tive 520 votos mais acabei ficando de fora; dias depois tive uma crise muito grande de asma e fui bater em São Paulo, onde lá descobriram que o problema era no coração e ai fui submetido a uma cirurgia que durou 7 horas; troquei a válvula mitral e essa dificuldade que passei fez com que toda minha família e amigos se aproximasse mais de mim; foram tempos difíceis e pensei até em vender a casa para pagar as contas. Porém minha mãe bancou os gastos da cirurgia e disse que quando eu tivesse melhor condição a pagaria. Um ano depois de tanto sofrimento veio as eleições para deputado estadual, os adversário que se apresentavam só dois nomes da política local. Eu vi a chance no grito de mudança que ecoava na cidade; convenci a família e amigos que aquela era nossa oportunidade e mesmo sem dinheiro, pois minha família é grande mas pobre, fui de casa em casa conversando e visitando das 6 da manhã às 11h da noite e mostrando que nós tínhamos uma chance pois concorria em uma legenda que não exigia tantos votos como os outros partidos “me dêem 2.000 votos Sena Madureira que eu serei deputado” e Sena me ajudou com o que pode. Tive 1.760 e graças a Deus, cheguei aonde muitos não conseguiram chegar.
A GAZETA - O PT do B terá candidato a prefeito em todos os municípios?
Gilberto Diniz - Ter candidatos a vice prefeito em dois grandes centros é uma intenção nossa e vamos trabalhar para que isso aconteça; agora é a hora de começarmos a identificar nossas lideranças e trabalhar seus nomes para o momento certo. Em Sena Madureira o PT do B poderá sim ter candidato a prefeito; temos 25 pré-candidatos a vereador e bons nomes no quadro para disputar a vaga de prefeito como é o caso do professor Carlos e do técnico da Receita Federal Francisco Carlos, dois nomes bem conceituados na cidade.
A GAZETA - O senhor tem criticado a política ambiental da Amazônia devido a diversidade da região. O que há de errado?
Gilberto Diniz - Para mim os estados deveriam ser harmônicos e independentes da união; quando se fala em Leis Ambientais a Amazônia não pode sofrer as mesmas leis que são aplicadas à mata atlântica; é muito dolorido para o caboclo da região ver uma Julieta sair de uma grande fazenda vizinha transportando mais de 20 toros de um projeto de manejo e olhar para sua área e não poder derrubar uma paxiúba para construir sua casa; irmos rio a baixo, rio a cima e encontrar todos ribeirinhos com multas superiores a 20 mil reais por colocarem um simples roçado na luta pela a sobrevivência; eu sou sim a favor que se faça ecologia, mas, precisamos de subsídios é preciso criar a Bolsa Floresta; valorizar a borracha e castanha, ter um projeto de manejo para as cidades, se não aquilo que aconteceu na construção da estrada de ferro Madeira Mamoré, onde nós importávamos os dormentes dos trilho da Europa futuramente estaremos, em plena floresta amazônica importando novamente madeira nobre. O que me dói por dentro é saber que a devastação continua e o pior, as multas não são pagas e no meio das queimadas, milhares de casa populares são destruídas todos os anos, pois nada pode ser aproveitado.
Nós deveríamos poder ter a liberdade de fazermos as nossas próprias leis ambientais; o Brasil é um país continental, temos várias culturas, vários climas e precisamos nos sintonizar com a realidade de cada povo e evitar o desperdiço por causa da ganância do homem. A Álcool Verde é um exemplo claro de que as leis ambientais do país não têm muito haver com a nossa região, não se estão derrubando uma árvore e sim aproveitando solos já surrados de campos de pastagem através da mecanização para produzir um produto que reduz, e muito, a poluição no planeta, mas mesmo assim, a empresa sofre embargos. No final tudo vai se resolver e não vão mexer em nada na área, vão apenas acertar algumas frases no papel e pronto, tudo fica ecologicamente certo e isso estar causando um transtorno enorme sem falar no prejuízo de termos mais de 250 famílias desempregadas e o maior projeto orçado em milhões de reais sujeitos ai por algo abaixo por conta de caprichos de leis ambientais totalmente fora de nossa realidade. Foi assim quando embargaram a BR-364 ligando Sena Madureira a Rio Branco por falta de um documento “o rima” que projetava o impacto ambiental que a estrada podia causar, esse embargo sou trouxe milhares de reais em prejuízos ao nosso estado.
A GAZETA - Há muitas críticas da sua parte com relação a ausência de urnas eletrônicas na zona rural. Qual seu interesse com o projeto para reverter esse quadro?
Gilberto Diniz - O Vale do Yaco é o que mais sofre com a falta de urnas eletrônicas no interior; o Alto Purus, Alto Juruá e Alto Tarauacá, ganharam municípios novos na época do governo Edmundo Pinto; o Alto e Médio Acre, também tem municípios que facilita as pessoas votarem o nosso questionamento e que além de não terem elevado o seringal Nova Olinda a categoria de município na época, também não tiveram a preocupação até hoje de implantarem pelo menos urnas eletrônicas para facilitar a vida daquelas milhares de famílias que moram no Alto Yaco há 3 dias de barco do município de Sena Madureira. Sena é um dos maiores municípios do Estado e o único que não tem uma seção eleitoral se quer na zona rural; temos mais de 12 projetos de assentamento do INCRA; no Alto Yaco 80% dos eleitores deixam de votar por falta de transporte e mais 10% nem se quer possui um documento que comprove sua existência. Levando urnas eletrônicas para o interior e rea-lizando projetos cidadãos nas áreas mais isoladas do Yaco, Macauã e Caeté vamos incluir muita gente na sociedade.
Outro detalhe que comprova essa abstenção por parte dos ribeirinhos, são as multas que eles pagam nos cartórios para regularizarem seus títulos; muitas delas chegam a mais de 25 reais, e é por isso que eu peço ao presidente do T R E que possa ver essa questão de Sena com mais carinho, pois as comunidades estão muito interessadas nesse projeto de urnas eletrônicas no interior.